segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A caminho da Serra da Esrela...Caldas da Felgueira




CALDAS DA FELGUEIRA


Os mais idosos afirmam de haver na Felgueira só um poço de água enxofrada, aonde se banhavam doentes que padeciam de herpes..mas tudo começou com um padre que morava na aldeia de Felgueira, e que tinha um cão que sofria dum problema de pele, depois do dono ter tentado curar seu cão sem sucesso, constatou que depois dum passeio perto desse poço, onde o cão se enrolou, melhorias incriveís aconteciam cada vez que o cão se banhava naquele sitio...as águas eram efervescentes e curavam..depressa a noticia se espalhou..

Graças ao padre José Lourenço, de Canas de Senhorim (situado a 5min), apareceu a primeira casa de habitação em Caldas de Vale de de Madeiros (1ro nome), mandada construir no inicio do século XIX, para poder curar os doentes através das águas, mais tarde em 1810, outro padre tambem de Canas de Senhorim, o padre José Ignácio De Oliveira mandou construir um barracão de madeira para que os doentes se resguardassem enquanto tomavam o seu banho, nasceu o chamado "barracão do banho velho", assim como uma capela e algumas casas "as casas da capela"... Capela que hoje em dia é um verdadeiro monumento, e da qual recomendo a visita.



Com o passar de poucos anos, Caldas de Vale de de Madeiros ia ganhando habitantes e casas se construiam, algumas pertenciam a doentes que se deslocavam periodicamente as termas. Muitos doentes vinham da região, sobretudo de Tondela e Gouveia. Mais tarde Joaquim António De Aguiar, mandará construir várias casas junto as termas..muitas dessas casas hoje em dia, ainda estão de pé.




A partir de 1880, Caldas de Vale de Madeiros passa a nomear-se Felgueira de Cantagalo, devido a exploraçao da nascente pelos marqueses de Cantagalo...mais tarde ficará com o nome de Caldas da Felgueira.

Situado no Alto do Vale do Mondêgo,a 25km de Viseu, e a 26km de Seia, as Caldas encontram-se a 220m de altitude, perdidas entre a Serras da Estrela, do Buçaco e do Caramulo, tendo como vizinhanças Canas de Senhorim e Nelas.
Graças à sua localização e aos seus acessos faceís, o IP3 e o IP5, as Caldas da Felgueira permitem a descoberta das regiões demarcadas do
vinho do Dão e do queijo da Serra da Estrela, as rotas das aldeias históricas, a pintura de Grão Vasco ou os automóveis antigos do Caramulo.

Onde ficar:
Caldas da Felgueira, hoje em dia é uma vila de residenciais e hoteís que exploram o negócio das termas até a ultima gota..sem esquecer que muitos alugam quartos nas suas próprias casas e isso durante o ano todo..foi numa dessas casas que escolhi dormir, e isso por um preço minusculo..11€ por noite por um quarto de casal com todo o conforto e casa de banho! Incrivel não! mas isso é o resultado duma verdadeira "caça" ao turista naquela vila. Mas para quem quiser dormir num bom Hotel, recomendo o Hotel Urgeiriça, situado a saída de Canas de Senhorim, ou o Hotel apartamentos Pantanha, logo a entrada de Caldas da Felgueira.

Onde comer:
..Em Caldas da Felgueira, recomendo o restaurante "A Moderna", onde a comida é excelente e o atendimento 5 estrelas...por acaso gostei mesmo! Comi lá um arroz de pato..hmm..era comer e chorar por mais, acompanhado com um vinho tinto Santar (talvez o melhor da região, com o vinho Lapa do Lobo)..foi sem dúvida um grande momento de prazer. Para quem quiser almoçar ou jantar em Canas de Senhorim, tem o restaurante Zé Pataco, onde pode saborear Raia a Lagareiro..prato pouco comum, e delicioso! e mesmo no centro de Canas de Senhorim, tem o Restaurante "O Pelourinho",onde poderá comer uma Feijoada a Beira alta mesmo boa! Recomendo também um restaurante situado em Santar, que é o Ponte Pinoca, onde a Feijoada de Marisco deixa-se derreter na sua boca..com um vinho de Santar, claro! Em Nelas recomendo o restaurante da Quinta do Castelo, situado mais precisamente em Vilar Seco, e que tem um prato fabuloso, que é o bacalhau a Quinta do Castelo, assim como um polvo a lagareiro maravilhoso...de resto ainda tem restaurantes que esses, não conheço! como o "Bem-Haja", "Os Antónios"(muito famoso em Nelas) e "O Brazão" ..e muitos outros! Boa gastronomia, é o que não falta nessa região, um pouco fria, mas com um calor Humano que nos faz muito bem.

Caldas da Felgueira, By Night..
É uma vila muito sossegada, destinada mais ao descanço do que a "borga", e por isso só encontrará um Bar, relativamente calmo, excelente para quem quer conversar e passar um bom momento sem confusão..esse Bar chama-se o "Que Maravilha"..para a diversão recomendo ir até Nelas, onde encontrará o Johnny´s Bar, aberto até ás 4h da manhã, e encontrará ainda o Summer Night e o Bar Escritório, e para quem quiser um ambiente mais calmo, temos o Forum, o Marquês Bar, e o Altus Bar..Em Canas de Senhorim só encontrará um barzinho como deve ser, que é o "Quebra Tolas".. sem esquecer que em Vilar Seco, encontra-se um Bar muito Bom, que é o "Semp´Abrir", excelente para "abanar a bunda" no sábado a noite, aberto até ás 4h da manhã.

Sente-se e admira a paisagem..
É o sitio ideal para quem gosta de calmo, de silêncio e de comunhão com a natureza, onde o verde do pinheiro e do castanheiro se misturam com a vinha..de facto poderá disfrutar de paisagens verdes deslumbrantes..e esse cheiro a lenha queimada que saía pelas chaminés dessas casas antigas feitas de granito, uma particularidade arquitectónica daquela região, assim como ruas estreitas feitas de calçada. Devo dizer que o cenário da feira Medieval de Canas de Senhorim, encaixava a perfeição com aquelas casas, fazendo recuar toda a gente no Tempo.

Sitios a visitar:
A ponte das Caldas da Felgueira faz a travessia do rio Mondego, mas também a de distrito (Viseu e Coimbra), a de concelho (Nelas e Oliveira do Hospital) e de freguesias (Nelas e Seixo da Beira), isto porque é no centro da ponte que se encontra precisamente esta divisão.
A ponte começou a ser construída em 1894, e foi concluída em 1898, isto ainda no tempo da Monarquia, reinava então o rei D. C
arlos (1889-1908).Associado a esta ponte, tendo sido construído ao mesmo tempo, estão um chafariz, onde se destaca o painel de azulejos do distrito de Coimbra, e uma casa, a Casa dos Cantoneiros. Estas três construções custaram naquele tempo 13.811$50... uma pechincha!!Apesar de ter já mais de 100 anos e diariamente passarem ali camiões com toneladas de peso, a ponte continua sólida e resistente, o que faz morder de inveja certas pontes de betão que andam por aí !!

A fonte das águas frias,é uma fonte onde as águas termais da Felgueira saem com uma temperatura muito inferior àquela que se encontra no local onde está instalado o balneário.Esta fonte, está no interior de uma construção que se fez para a sua, suposta, protecção e consequente conservação. Esta construção foi feita com muito requinte, a pormenores arquitectónicos interessantes. Mas nem isto lhe valeu uma vez que actualmente se encontra entregue à sua pobre sorte, isto porque o seu estado de conservação, devido ao vandalismo e à indiferença das entidades responsáveis, se encontra num estado deplorável.

Existe ainda no centro da aldeia, na avenida principal, um monumento que nos dá o prazer de beber sempre água de elevada qualidade, servindo-se dela toda a povoação. Água esta que provem de uma mina situada na encosta Norte da Felgueira.É feito em granito e data de 1899, tem cerca de 2,50m de altura, tendo no topo duas grandes esferas, também em granito.É com referência neste Fontanário que a Felgueira se divide em duas partes, uma pertencente à freguesia de Canas de Senhorim e a outra à freguesia de Nossa Senhora da Conceição, de Nelas.

Perto de Caldas da Felgueira, poderá visitar Cabanas de Viriato, que é uma das maiores e mais pitorescas vilas do país. Esta povoação reclama para si a natalidade de Viriato, chefe dos Lusitanos que, ao que se diz, aqui se abrigou das agruras da serra da Estrela e das perseguições dos Romanos. São visíveis vestígios de velhas casas solarengas.

Para nos despedir dessa linda região...vai um poema com o título "Mondego", cujo o autor é um poeta amador, chamado Paulo César..

Mondego

Adolescência da minha felicidade
Nos teus areais junto à Lapa
Mirando ao longe a tua cidade
E a cujo encanto ninguém escapa
Amor em canaviais bem repetido
Quanto a nossa força de juventude
Porque no Mondego o proibido
Torna-se sacro e só virtude
Depois o banho na morna corrente
Entre pequenos barbos bogas e rãs
Dando frescura num Sol tão quente
Que torna róseas todas as romãs
Nos decotes das moças já sendo gente
Enquanto batem na pedra as lãs.

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