quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Oliveira do Hospital e seus refúgios encantados













Oliveira do Hospital
, situada as portas da Serra da Estrela e a poucos kilómetros da cidade Académica de Coimbra, é de longe com as suas redondezas uma das zonas mais bonitas do nosso pequeno país. Ulvária (terreno alagadiço), seu antigo nome, deu origem ao seu segundo nome Ulveira, que dará origem mais tarde a Oliveira...mais tarde a influência da Ordem de Malta, tambem conhecida como Ordem dos Hospitalários, dará o nome definitivo de Oliveira do Hospital.

Diz-se que é em Oliveira do Hospital, que a Ordem de Malta tinha o seu convento principal no actual edifício dos Paços do Município e a Igreja Matriz..Terras que foram doadas aos Cavaleiros da Ordem por a Rainha Dª Teresa, mãe de D.Afonso Henriques em 1120.

Oliveira do Hospital, faz parte da subregião do Pinhal Interior Norte, e só tem pouco mais de 4000 habitantes...mas não pela sua grandeza que avaliamos uma cidade mas sim pela sua beleza e a sua história. De facto essa região transborda de história, com os seus numerosos vestigios megalíticos (sobretudo em Bobadela,Ervedal da Beira, e Seixo da Beira), que provam a região é habitada desde a pré-história...e além disso foi descoberto nos anos 70 um anfiteatro Romano na Bobadela..sem esquecer que a região conheceu a invasão Árabe com a presença duma Igreja moçarabe na Lourosa (talvez devido a presença dos Túrdulos)..assim como é natural, a importante presença de edficios Medievais, como em Meruge e em Avô, com o castelo de D.Afonso Henriques, e claro em Oliveira do Hospital com o Convento principal da Ordem de Malta.

Passeio pela Cidade...
Começamos o passeio , visitando a capela dos Ferreiros, construida no Séc.XIII, e classificado monumento Nacional, é um dos tesouros Medievais da Cidade, mandada construir por um cavaleiro chamado Domingos Joanes, poderá encontrar lá o túmulo dele e da esposa dele (Domingos Sabachais) com estátuas esculpidas em pedra de Ançã, poderá ainda ver a estátua de um cavaleiro medieval, talvez uma das primeiras estátuas equestres feitas na Europa, mas só há um problema devido ao vandalismo, e é melhor avisar!Na capela dos Ferreiros, o visitante tem que adivinhar que é preciso telefonar para que alguém da igreja venha abrir as portas! pois é! fica aí uma messagem para o posto de turismo de Oliveira do Hospital: "É assim que o país não vai para a frente" e fica aqui uma ideia para resolver o problema "organizam uma ou duas visitas guiadas por dia, com horários definidos" ...continuamos com um pequeno passeio no parque do Mandanelho, considerado o pulmão da cidade, nesses quatro hectáres de parque poderá apreciar a cascata e o lago..e acabamos com o convento principal da Ordem de Malta, onde se encontra actualmente os Paços do Minicipio e a Igreja Matriz.

Chegou a Hora de encher a barriga...
Recomendo um restaurante do qual gostei muito, pela qualidade da refeição e pelo preço muito razoável (7€ por pessoa em média), chama-se restaurante Quinta da Lameira..cheguei a jantar ainda nos restaurantes O Cantinho (5€ por pessoa), e O Tunel, onde poderá regalar-se com cozinha tradicional Portuguesa...fora da cidade, aconcelho fortemente o restaurante Passadiço, em Avô, onde o bife da casa é uma delicia, e pode ficar melhor ainda acompanhado com un tinto da Quinta de Cabriz ou um tinto Quinta do Corujão 2004 (vinhos da região).

Saimos da Cidade...
Começamos com Aldeia das Dez, e a lenda do seu legendário tesouro.
"Segundo a lenda, durante a Reconquista cristã 10 mulheres terão encontrado um tesouro numa caverna situada na encosta do Monte do Colcurinho. Um tesouro que poderia ter um valor que ultrapassa o material.
Estas mulheres ter-se-ão apercebido da sua importância e, num pacto que persiste até hoje, terão separado entre elas as peças que o compunham e passado-as de geração em geração - mantendo até hoje por desvendar o segredo que encerram. Da composição deste segredo pouco se sabe com exactidão.Quanto ao tesouro, crê-se que dele façam parte moedas Antonini com inscrições cifradas - sendo que uma destas encontrar-se-á cravada na moldura de um quadro que narra esta lenda. Deste quadro pouco mais se sabe, além de ter ressurgido em meados do
século XX num antiquário de Oliveira do Hospital, para novamente desaparecer. Terá sido pintado por uma das descendentes das dez mulheres e crê-se que retratando a lenda poderá oferecer uma chave para o seu segredo"...para visitar, além da Igreja Matriz e das capelas, recomendo visitar o Santuário Nossa Senhora das Preces, construido devido ao aparecimento da Virgem na Serra do Culcurinho, em 1371..serão construidas ainda 11 capelas..vale mesmo a pena ver!
..Bem v
indos a Avô, a mais bela aldeia do país! Junto ao rio Alva, e a ribeira de Pomares, encontramos um pequeno lago, devido a união desses 2 corredores de água, com uma pequena ilha no meio, a ilha do Picoto...já agora aproveita a praia fluvial! Poderá ainda visitar o castelo de Avô, construido durante o reinado de D.Afonso Henriques...um castelo de estilo gótico que esconde ainda muitos segredos.
...seguimos em frente com talvez o local mais histórico da região..Bobadela! De facto, conta se que Bobadela já foi cidade, pelo o que se v
ê em seus arrabaldes, pedras lavradas, colunas e objectos antiquissimos em grande quantidade..diz-se que dentro da vila existia um arco de pedra magnifico, que devia ser a porta da muralha..ignora-se qual era o nome dessa antiga civilização.
Podemos ver a Igreja e a capela de Santo Cristo, muito antigas..existiu nas proximidades uma grande batalha contra os romanos ou os mouros, daí a presença de numerosas sepulturas que supostamente pertencem aos cavaleiros lusitanos mortos em combate...mais tarde as continuas guerras da Idade Média portuguesa destruíram muito a vila...assim como grande parte dos seus segredos.
..Não saia da Região sem passar por Lourosa, que nasceu com a cultura Visigótica e que se construiu com o Império Romano..possui até uma ara dedicada a Júpiter, o que prova a presença de antigos cultos.
..poderá ainda passar pela a aldeia Medieval de Meruge, onde participei numa feira Medieval, mas
infelizmente aquela feira parecia ser tudo menos Medieval "fique aí um recado para os organizadores!".."para a próxima sejam mais rigorosos!porque na idade Média os comerciantes não se vestiam com t-shirts e calças de ganga!"
...acabamos com uma curva até São Gião , onde po
derá ver a Igreja Matriz, denominada "Catedral das Beiras", e disfrutar dum parque de campismo junto a uma excelente praia fluvial com a residencial da fundação de Albino Mendes Da Silva, e as grutas naturais do Penedo da Moura..na vila poderá ver que lá o artesanato é tradição, sobretudo a cestiaria e a queijaria (Queijo da Serra da Estrela).






Oliveira do Hospital by Night...
..Um bar calmo e com muito charme, no Europa Bar poderá ouvir música alternativa e conversar tranquilamente com a sua companhia de viagem...Em homenagem ao celebre Bar 25 de Berlim, no Bar 25 vai sentir a Noite aquecer em companhia dos Oliveirenses, assim como no Bufalos Bar..para acabar a dançar, e é quase passagem obrigátoria! Nunca vi uma discoteca assim! localizada na Bobadela, o edificio e a decoração é simplesmente deslumbrante!para mim, uma das melhores discotecas de Portugal, falo do Espiritos club.



Onde dormir...
...
Na região pratica-se muito o turismo rural, com algumas quintas que fazem preços razoáveis e outras que exageram um pouco! Eu dormi mesmo no centro da cidade, no Hotel São Paulo, que tem boas condições e que pratica o preço standard á nível Nacional(35€)...agora para quem procura mais o grande conforto, aconcelho na cidade, a Casa da Castanheira e a Casa das Laranjeiras..fora da cidade, tem em Avô, o Passadiço..na Aldeia das Dez, a Quinta da Geia..e em Vila Franca da Beira, a Casa Ci...sem esquecer os vários parques de campismo que pode encontrar nomeadamente em São Gião.



Despedimo-nos de Oliveira do Hospital com um poema, do poeta-guerreiro Bráz Garcia Mascarenhas, que escreveu Viriato trágico...esse é um dos 20 cantos do poema.

Se me abates, em vez de levantar-me,
Icaro portuguez serei comtigo,
E se as azas me dás, para salvar-me,
Um Dedalo immortal serás comigo.
Segue o teu natural, que é arriscar-me,
Porque a fama se alcança com perigo,
E quem de teu valor se não soccorre,
Covarde vive, esquecido morre.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Seia..cidade mais alta do país



SEIA




..Tudo começa com Viriato, dux do exercito Lusitano, ou Imperador das tribos Lusitanas e Celtiberos..Sena (actual Seia) não passava então dum simples "quartel" dos Guerreiros Lusitanos..um quartel estrategicamente bem situado nos altos dos Montes Hermínios (actual Serra da Estrela), Seia servia então de miradouro que permitia avistar ao longe os soldados Romanos.


E é em 140 a.C. que Viriato inflinge uma derrota decisiva a Fábio Máximo Servilliano,onde morreram em combate cerca de 3000 romanos. Servilliano consegue manter a vida oferecendo promessas e garantias da autonomia dos lusitanos e Viriato decide não o matar. Ao chegar a Roma a notícia desse tratado, foi considerado humilhante e o Senado volta atrás, declarando guerra contra os lusitanos.
Assim, Roma envia novo general,
Servílio Cipião que tinha o apoio das tropas de Popílio Lenas. Este renova os combates com Viriato, mas este mantém superioridade militar e força-o a pedir uma nova paz. Envia, neste processo, três comissários de sua confiança, Audas, Ditalco e Minuros. Cipião recorreu ao suborno dos companheiros de Viriato, que assassinaram o grande chefe enquanto dormia. Um desfecho trágico para Viriato e os lusitanos..
Depois de Viriato morrer, Tantalos, tornou-se líder do exército lusitano até ser capturado.
Sem a forte resistência de Viriato,
Decius Junius Brutus pôde marchar para o nordeste da península. Júlio César ainda governou o território durante algum tempo.
Más Oppidum Sena (ou seja, Tratado de Sena), antiga Sena, foi realmente fundada há cerca de 2400 anos, pelos
Túrdulos (Civilização que nasceu perto de Guadalquivir). O rei godo Wamba, que iniciou o seu reinado em 672, fixou os limites da diocese de Egitânia até aos domínios da então Sena.
Sena, que durante muito tempo foi dominada pelos Árabes, foi definitivamente reconquistada por D. Fernando Magno, em 1055, tendo mandado edificar o seu castelo. A crónica do monge Silas relata a violência do ataque e como os
Godos puseram em fuga desordenada os ocupantes da Oppidum Sena (Sena) em direcção à Oppidum Visense (Viseu).
Salientando a importância de Seia, já D. Teresa, no foral de Talavares, se referia à então Sena nos seguintes termos: "D. Tarasia regnante in Portucale, Colimbria, Viseu et Sena [...]". (Trad.: D. Teresa, que reina em Portugal, Coimbra, Viseu e Seia (...))
Em 1132, o rei
D. Afonso Henriques fez doação de Seia ao seu valido João Viegas por reconhecimento dos serviços prestados. Em 1136, Seia tem o seu primeiro foral, dado pelo mesmo monarca, que a designa por Civitatem Senam (cidade de Seia) embora óbviamente não se possa considerar que Seia fosse uma cidade, e em todos os forais seguintes é designada por vila. Outros forais se seguiram como o de D. Afonso II, em Dezembro de 1217, o de D. Duarte, em Dezembro de 1433, o de D. Afonso V, em Agosto de 1479, e, finalmente, o de D. Manuel I, em 1 de Junho de 1510.
Em 1571, no reinado de
D. Sebastião, foi fundada a Misericórdia de Seia.
Nos momentos decisivos da História de Portugal, Seia esteve sempre presente. Na Revolução de 1640, Seia tomou parte activa, tendo os seus habitantes mandado forjar a espada que D. Mariana de Lencastre, viúva de D. Luís da Silva, 2°- alcaide-mor de Seia, entregou aos seus filhos na vigília de sexta-feira para Sábado, 12 de Dezembro.

H
oje em dia, Seia é a maior cidade da subregião da Serra da Estrela, assim como a segunda maior cidade do Distrito da Guarda..uma cidade que foi crescendo devido á ser a principal entrada Natural da Serra da Estrela, atraindo cada cez mais turistas..mas Seia não é só turismo! Além das instalações modernas hoteleiras, de restaurantes e de centros comerciais, também encontramos lá, importantes fábricas têxteis, que são das mais importantes do país, oferecendo mais de 5000 empregos..e ultimamente tem se expandido a Zona Industrial da Vila Chã..sem esquecer o Artesanato e as pequenas empresas, que tem como principal actividade os fumeiros e os famosos queijos da Serra da Estrela.

..Poderá descobrir em Seia
O museu do brinquedo, que apresenta mais de 4500 brinquedos de Portugal e do Mundo, do passado ao presente, lembrando a nossa infância, e fazendo-nos recuar no Tempo.
O museu do Pão, perto do Hospital, onde poderá conhecer a História e a Arte do pão Português..são 3500m2 de cultura,pedagogia e lazer.
Aconcelho também uma passagem pela Feira Medieval de Seia, que costuma ser em Novembro, e poderá saborear vários pratos medievais na Ceia Medieval.


..Passear é bem bonito mas também temos que comer...
Em Seia recomendo o restaurante Borges,onde conheci um bacalhau dos pobres mesmo suculente, o restaurante "A ceia dos Pacatos", e a Cabana do Pastor...e acredito que existem ainda outros restaurantes onde se come muito bem!
Em Sabugueiro, gostei muito do restaurante "O Nevão", onde pode saborear todos as especialidades da Serra, Morcela, alheira, queijo, presunto, Borrego estufado, cabrito assado ou ainda a chanfana..mas como não gosto muito de borrego, optei por escolher bacalhau com grão :)
Se passar por Vila Loriga, poderá comer no restaurante Império, visto que não temos lá muito escolha..é um café restaurante "Normal" e come-se bem!


Onde dormir...
..Recomendo em Seia, a Albergaria Sra Do Espinheiro e o Hotel Restaurante Eurosol assim como as Casas do Cruzeiro em Sabugueiro! Encontrará lá excelentes condições e conforto..o preço como pode adivinhar não é muito barato, mas na Serra da Estrela, o barato não se encontra em todos os cantos! Por isso tenho um truque! Vai perguntando em cafés ou restaurantes, se conhecem alguém que aluga quartos :)e garanto que em menos duma hora, conseguirá um quarto barato e com um pouco de sorte..algumas condições!
..Em Penhas da Saúde, encontrará o Hotel Serra da Estrela, a pousada da juventude e para quem gosta mais de requinte, tem Chalés de Montanha.


Vamos dar uma curva...
..Como é óbvio, começamos a nossa visita pela Torre, o ponto mais alto de Portugal continental, com 1993m de altitude, e onde terá uma vista unica sobre as Serras..poderá apreciar uma paisagem deslumbrante..perto da Torre, deslocámo-nos para a estância de esqui Vodafone, situada na região de Vila Loriga. Essa estância de esqui está coberta de neve de Dezembro a Abril, e tem 9 pistas com um total de 7,7km..mas isso não interessa muito..o que interessa é divertir-se a brava no meio da neve..cair,levantar,cair...:) e para quem quiser dormir perto da estância de esqui recomendo ir até Penhas da Saúde, situado a 10min, e no coração da Serra da Estrela, dormirá a 1500m de altitude! Encontrará o Hotel Serra da Estrela, chalés de montanha e uma pousada da juventude (o mais barato)..eu por mim, optava pelo chalé! Não há como o ambiente caloroso duma casinha de madeira.
..Agora para que
m não gosta de esqui, mas sim de admirar o verde da Natureza..aconcelho um passeio até a "Suiça Portuguesa", Vila Loriga, situada a 770m de altitude, entre ribeiras e montanhas, no Vale Glaciar junto a Lagoa comprida, possui uma vista semelhante a paisagem Alpina. Vila Loriga, tem muita história para descobrir...devido a sua localização foi fundada pelas tribos Lusitanas..de facto os Celtas tinham preferência em explorar terras verdes e ferteis junto aos rios e ribeiras! Poderá até encontrar um bairro chamado Saõ Gens, Santo de órigem Céltica. O nome Vila Loriga, veio da localização estratégica da povoação, do seu protagonismo e dos seus habitantes nos Hermínios (actual Serra da Estrela) na resistência lusitana, o que levou os romanos a porem-lhe o nome de Lorica (antiga couraça guerreira). Os Hermínios eram o coração e a maior fortaleza da Lusitânia. É um facto que os romanos lhe deram o nome de Lorica, e deste nome derivou Loriga (designação iniciada pelos Visigodos) e que tem o mesmo significado. É um caso raro, em Portugal, de um nome bi-milenar! Poderá visitar a Ponte Romana, as suas estradas Romanas, e não perca a admirável cascata das Lamas, e ainda as muitas construções medievais. Ir a Serra da Estrela e não visitar Vila Loriga é um pecado autêntico!
..Perto d
e Vila Loriga, poderá conhecer a freguesia de Vide, onde o povoamento remonta aos finais do Paleolítico Superior. Entre as zonas de Entre-águas e de Ferradurras, há alguns núcleos rochosos que possuem várias inscrições rupestres, e que segundo os traços gerais apresentados, pertencem à Idade do Bronze. Mas não aconcelho em nada descobrir aquela zona no Inverno, devido as estradas em muito mau estado, e por vezes assustadoras!


Para quem não tem medo dos Km...

..Recomendo passar por Sabugueiro, que é a Aldeia mais alta da Serra da Estrela, e Folhadosa, onde encontrará um excelente miradouro chamado "Pedras do Bom Nome", o Santuário Nossa Senhora da Ribeira, com um chão feito com pedras agrupadas..uma Obra Unica! e o Santuário Senhor Do Calvário, construído após as invasões Francesas.
..A seguir poderá conhecer a Lapa dos Dinheiros, lá os seus olhos poderão se perder no Horizonte..verá até onde os seus olhos poderão ver! É um local mágico, onde encontrará muita calma através o canto da Natureza. Não saia de lá sem passar pela praia fluvial da Caniça! Mas Lapa dos Dinheiros também tem a sua História..Conta-se que o nome desta aldeia surgiu quando alguns homens construíam, no actual "Porto dos Bois", uma casa e por lá passaram uns caçadores que lhes disseram para virem construir as sua casas numas lapas mais abaixo, ficavam mais abrigados, e assim fizera
m.
Na pequena aldeia com o nome de Lapa, passou o
Rei D. Dinis e os habitantes ofereceram-lhe um jantar farto. O Rei perguntou-lhes qual o nome da aldeia ao que lhe responderam Lapa, porque era construída numas lapas. De seguida D. Dinis perguntou como tinham feito um jantar tão farto, os habitantes responderam: "com os nossos dinheiros". Então D. Dinis ordenou que a aldeia se chamasse Lapa dos Dinheiros".

Seia By Night...
A noite poderá apreciar o calmo e o requinte do Bar Preto e Branco, ou beber um copo no Look Club, ou no Brother´s Bar...e se for daqueles que gosta de discotecas poderá dançar na discoteca Anjos & Demónios.

...Para nos despedir de Seia, deixo-vos com um poema de Luis de Camões..até breve!

Este que vês, pastor já foi de gado
Viriato sabemos que se chama
Destro na lança mais que no cajado
Injuriada tem de Roma a fama,
Vencedor invencibil, afamado
Não tem co'ele, nem ter puderam
O primor que com Pirro já tiveram.

Os Lusíadas, VIII, 6

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A caminho da Serra da Esrela...Caldas da Felgueira




CALDAS DA FELGUEIRA


Os mais idosos afirmam de haver na Felgueira só um poço de água enxofrada, aonde se banhavam doentes que padeciam de herpes..mas tudo começou com um padre que morava na aldeia de Felgueira, e que tinha um cão que sofria dum problema de pele, depois do dono ter tentado curar seu cão sem sucesso, constatou que depois dum passeio perto desse poço, onde o cão se enrolou, melhorias incriveís aconteciam cada vez que o cão se banhava naquele sitio...as águas eram efervescentes e curavam..depressa a noticia se espalhou..

Graças ao padre José Lourenço, de Canas de Senhorim (situado a 5min), apareceu a primeira casa de habitação em Caldas de Vale de de Madeiros (1ro nome), mandada construir no inicio do século XIX, para poder curar os doentes através das águas, mais tarde em 1810, outro padre tambem de Canas de Senhorim, o padre José Ignácio De Oliveira mandou construir um barracão de madeira para que os doentes se resguardassem enquanto tomavam o seu banho, nasceu o chamado "barracão do banho velho", assim como uma capela e algumas casas "as casas da capela"... Capela que hoje em dia é um verdadeiro monumento, e da qual recomendo a visita.



Com o passar de poucos anos, Caldas de Vale de de Madeiros ia ganhando habitantes e casas se construiam, algumas pertenciam a doentes que se deslocavam periodicamente as termas. Muitos doentes vinham da região, sobretudo de Tondela e Gouveia. Mais tarde Joaquim António De Aguiar, mandará construir várias casas junto as termas..muitas dessas casas hoje em dia, ainda estão de pé.




A partir de 1880, Caldas de Vale de Madeiros passa a nomear-se Felgueira de Cantagalo, devido a exploraçao da nascente pelos marqueses de Cantagalo...mais tarde ficará com o nome de Caldas da Felgueira.

Situado no Alto do Vale do Mondêgo,a 25km de Viseu, e a 26km de Seia, as Caldas encontram-se a 220m de altitude, perdidas entre a Serras da Estrela, do Buçaco e do Caramulo, tendo como vizinhanças Canas de Senhorim e Nelas.
Graças à sua localização e aos seus acessos faceís, o IP3 e o IP5, as Caldas da Felgueira permitem a descoberta das regiões demarcadas do
vinho do Dão e do queijo da Serra da Estrela, as rotas das aldeias históricas, a pintura de Grão Vasco ou os automóveis antigos do Caramulo.

Onde ficar:
Caldas da Felgueira, hoje em dia é uma vila de residenciais e hoteís que exploram o negócio das termas até a ultima gota..sem esquecer que muitos alugam quartos nas suas próprias casas e isso durante o ano todo..foi numa dessas casas que escolhi dormir, e isso por um preço minusculo..11€ por noite por um quarto de casal com todo o conforto e casa de banho! Incrivel não! mas isso é o resultado duma verdadeira "caça" ao turista naquela vila. Mas para quem quiser dormir num bom Hotel, recomendo o Hotel Urgeiriça, situado a saída de Canas de Senhorim, ou o Hotel apartamentos Pantanha, logo a entrada de Caldas da Felgueira.

Onde comer:
..Em Caldas da Felgueira, recomendo o restaurante "A Moderna", onde a comida é excelente e o atendimento 5 estrelas...por acaso gostei mesmo! Comi lá um arroz de pato..hmm..era comer e chorar por mais, acompanhado com um vinho tinto Santar (talvez o melhor da região, com o vinho Lapa do Lobo)..foi sem dúvida um grande momento de prazer. Para quem quiser almoçar ou jantar em Canas de Senhorim, tem o restaurante Zé Pataco, onde pode saborear Raia a Lagareiro..prato pouco comum, e delicioso! e mesmo no centro de Canas de Senhorim, tem o Restaurante "O Pelourinho",onde poderá comer uma Feijoada a Beira alta mesmo boa! Recomendo também um restaurante situado em Santar, que é o Ponte Pinoca, onde a Feijoada de Marisco deixa-se derreter na sua boca..com um vinho de Santar, claro! Em Nelas recomendo o restaurante da Quinta do Castelo, situado mais precisamente em Vilar Seco, e que tem um prato fabuloso, que é o bacalhau a Quinta do Castelo, assim como um polvo a lagareiro maravilhoso...de resto ainda tem restaurantes que esses, não conheço! como o "Bem-Haja", "Os Antónios"(muito famoso em Nelas) e "O Brazão" ..e muitos outros! Boa gastronomia, é o que não falta nessa região, um pouco fria, mas com um calor Humano que nos faz muito bem.

Caldas da Felgueira, By Night..
É uma vila muito sossegada, destinada mais ao descanço do que a "borga", e por isso só encontrará um Bar, relativamente calmo, excelente para quem quer conversar e passar um bom momento sem confusão..esse Bar chama-se o "Que Maravilha"..para a diversão recomendo ir até Nelas, onde encontrará o Johnny´s Bar, aberto até ás 4h da manhã, e encontrará ainda o Summer Night e o Bar Escritório, e para quem quiser um ambiente mais calmo, temos o Forum, o Marquês Bar, e o Altus Bar..Em Canas de Senhorim só encontrará um barzinho como deve ser, que é o "Quebra Tolas".. sem esquecer que em Vilar Seco, encontra-se um Bar muito Bom, que é o "Semp´Abrir", excelente para "abanar a bunda" no sábado a noite, aberto até ás 4h da manhã.

Sente-se e admira a paisagem..
É o sitio ideal para quem gosta de calmo, de silêncio e de comunhão com a natureza, onde o verde do pinheiro e do castanheiro se misturam com a vinha..de facto poderá disfrutar de paisagens verdes deslumbrantes..e esse cheiro a lenha queimada que saía pelas chaminés dessas casas antigas feitas de granito, uma particularidade arquitectónica daquela região, assim como ruas estreitas feitas de calçada. Devo dizer que o cenário da feira Medieval de Canas de Senhorim, encaixava a perfeição com aquelas casas, fazendo recuar toda a gente no Tempo.

Sitios a visitar:
A ponte das Caldas da Felgueira faz a travessia do rio Mondego, mas também a de distrito (Viseu e Coimbra), a de concelho (Nelas e Oliveira do Hospital) e de freguesias (Nelas e Seixo da Beira), isto porque é no centro da ponte que se encontra precisamente esta divisão.
A ponte começou a ser construída em 1894, e foi concluída em 1898, isto ainda no tempo da Monarquia, reinava então o rei D. C
arlos (1889-1908).Associado a esta ponte, tendo sido construído ao mesmo tempo, estão um chafariz, onde se destaca o painel de azulejos do distrito de Coimbra, e uma casa, a Casa dos Cantoneiros. Estas três construções custaram naquele tempo 13.811$50... uma pechincha!!Apesar de ter já mais de 100 anos e diariamente passarem ali camiões com toneladas de peso, a ponte continua sólida e resistente, o que faz morder de inveja certas pontes de betão que andam por aí !!

A fonte das águas frias,é uma fonte onde as águas termais da Felgueira saem com uma temperatura muito inferior àquela que se encontra no local onde está instalado o balneário.Esta fonte, está no interior de uma construção que se fez para a sua, suposta, protecção e consequente conservação. Esta construção foi feita com muito requinte, a pormenores arquitectónicos interessantes. Mas nem isto lhe valeu uma vez que actualmente se encontra entregue à sua pobre sorte, isto porque o seu estado de conservação, devido ao vandalismo e à indiferença das entidades responsáveis, se encontra num estado deplorável.

Existe ainda no centro da aldeia, na avenida principal, um monumento que nos dá o prazer de beber sempre água de elevada qualidade, servindo-se dela toda a povoação. Água esta que provem de uma mina situada na encosta Norte da Felgueira.É feito em granito e data de 1899, tem cerca de 2,50m de altura, tendo no topo duas grandes esferas, também em granito.É com referência neste Fontanário que a Felgueira se divide em duas partes, uma pertencente à freguesia de Canas de Senhorim e a outra à freguesia de Nossa Senhora da Conceição, de Nelas.

Perto de Caldas da Felgueira, poderá visitar Cabanas de Viriato, que é uma das maiores e mais pitorescas vilas do país. Esta povoação reclama para si a natalidade de Viriato, chefe dos Lusitanos que, ao que se diz, aqui se abrigou das agruras da serra da Estrela e das perseguições dos Romanos. São visíveis vestígios de velhas casas solarengas.

Para nos despedir dessa linda região...vai um poema com o título "Mondego", cujo o autor é um poeta amador, chamado Paulo César..

Mondego

Adolescência da minha felicidade
Nos teus areais junto à Lapa
Mirando ao longe a tua cidade
E a cujo encanto ninguém escapa
Amor em canaviais bem repetido
Quanto a nossa força de juventude
Porque no Mondego o proibido
Torna-se sacro e só virtude
Depois o banho na morna corrente
Entre pequenos barbos bogas e rãs
Dando frescura num Sol tão quente
Que torna róseas todas as romãs
Nos decotes das moças já sendo gente
Enquanto batem na pedra as lãs.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Primeira saída...Caldas da Rainha






CALDAS DA RAINHA







Por viver nas Caldas-da-Rainha já há 10 anos..e por conhecer cada cêntimetro da minha cidade..optei por a escolher como ponto de partida para a nossa volta a Portugal...

Caldas-de-Óbidos, foi fundada pela rainha Leonor De Viseu, mais conhecida como rainha D.Leonor..foi em 1484 que a rainha encontrou 5 pessoas que estavam a tomar banho numa água com cheiro pouco agradável..foi-lhe então dito que essa água possuia poderes curativos, a rainha que sofria duma doença da pele decidiu tomar banho..um ano depois a rainha curou-se e decidiu mandar construir um Hospital Termal, assim como uma pequena povoaçao de 30 moradores..mais tarde D.Afonso V, fará ampliar o Hospital..em 1511, Caldas-de-Óbidos passará assim a Vila, ficando com o nome de Caldas-da-Rainha.

Caldas-da-Rainha, cidade berço de muitos artistas, nomeadamente pintores e escultores..como José Malhoa, Manuel Cipriano Gomes Mafra, ou ainda Rafael Bordalo Pinheiro. As Caldas tem a sua história muito interligada á Óbidos (pela sua fundação), á Alcobaça (pela a influência religiosa Cisterciense) e ao Bombarral, pelo barro. Um barro, que fará das Caldas o maior produtor de cerâmicas do país, sobretudo com as conhecidas Malandrices das Caldas e Zé Povinho.O sector da cerâmica dará nascimento a um centro de formação profissional chamado Cencal, e a influência artística fez com que a melhor escola de Design do país, a ESAD nascesse nas Caldas..e já agora fica um convite para todos os amantes da Arte, para o Caldas Late Night, organizado pelos estudantes da ESAD no fim do ano lectivo. A louça das Caldas, ficará mondialmente conhecida, exportando para os 4 cantos do globo, atrávés de fábricas como a Secla e a Bordalo Pinheiro..fábricas que já acabaram por falir, devido a concorrência desleal da cerâmica Chinesa, fazendo aumentar o desemprego numa cidade moderna, que hoje em dia possui uma actividade industrial quase inexistente, e um sector comercial sobrelotado, com mais de 10 supermercados e um centro comercial Vivaci, novo em folha que abriu em Dezembro de 2008.

Com mais de 30mil habitantes, as Caldas é uma cidade em constante crescimento, situada a meia hora de Leiria, a meia hora de Santarém, e a 50min de Lisboa. É ponto de passagem obrigatório para quem passa na região Oeste, sobretudo no verão onde poderá apreciar as praias, com a Foz do Arelho (5min das Caldas) e com a Lagoa de Óbidos. Poderá também disfrutar dum passeio pelo Parque Dom Carlos I, e pelas ruas do centro, nomeadamente a Praça da Fruta e a rua das montras, e acabar o dia num pequeno passeio ao Centro Comercial Vivaci..ou jantar num restaurante que aprecio muito por me lembrar o "bistrot" tradicional Parisiense, chamado "Pachá"..fazem lá alheiras que nem vos digo! ou então tambem temos os restaurantes Cortiço, a Lareira, o Gordão e o restaurante Indiano Monte Hore´b, que são excelentes, e para quem procura mais Fast Food, temos o McDonald´s, Turco & Companhia, a pizzaria Novo Mundo, assim como os pontos de restauração do Vivaci.
A seguir porque não acabar a noite ao assistir a uma boa peça de Teatro,no novo Centro Cultural das Caldas (CCC). E quem diz Caldas, tambem diz Óbidos e o seu castelo que faz parte das 7 maravilhas de Portugal..não esquecendo de saborear o famoso licor de Ginja em copo de chocolate, num dos numerosos bares do castelo.

Onde dormir?
Recomendo o Hotel Cristal, pela qualidade, pelo preço acessível, e pela localização, apesar de haver ainda excelentes hoteís e residenciais na cidade, como o Hotel Internacional, que foi durante vários anos o Hotel escolhido pelo SL Benfica, temos ainda a Residencial Europeia, localizada perto da rua das montras e mesmo no coração das Caldas, a Residencial Olhos Pretos que está junta a Praça da Fruta, o Hotel Dona Leonor situado junto a Igreja , e a Residencial Dom Carlos junto ao Parque Dom Carlos. Para quem gostar mais de praia, recomendo dormidas na Foz-do-Arelho, onde poderá encontrar o Inatel, com alojamento em casas individuais e com uma vista panorâmica sobre a Foz de cortar a respiração, e além dessa opção ainda tem o Hotel do Facho, e a Residencial Penedo Furado, sem esquecer que no verão muitas pessoas na Foz, alugam apartamentos e quartos..mas cuidado porque muitos aproveitam se muito bem quando as vagas se fazem raras. Para acabar escolhi o Hotel Mansão da Torre, onde poderá passar noites românticas inesqueciveis, situado a entrada de Óbidos, esse Hotel é o ideal para namorar e se apaixonar..




CALDAS BY NIGHT..







Os melhores sitios para se divertir:


para quem gosta mais de convivio e de calmo, recomendo no centro das Caldas, o Café Central, o Galerias Café, o Bar Inovação , o Bar Xadrez e o Lagoa Azul, mais por fora da cidade tem o Antigus Bar, e o Campbell´s Bar (durante a semana)..e para os mais gulosos, recomendo a geladaria Italiana Puzzle onde poderá experimentar o gelado de Ginja, e a geladaria Odisseia onde poderá saborear todo tipo de chocolates quentes, ou ainda a geladaria Tôa Tôa na Foz do Arelho onde poderá regalar-se com crêpes caseiras mesmo muito boas.

-para quem gosta mais de Pub´s, recomendo o Joyce Irish Pub, o Campbell´s Bar Pub (nesses dois bares poderá apreciar o toque British, lembrando Irishs Pubs)..e que tál um Irish Coffee! No Bowling Caldas poderá jantar, jogar snooker, jogar bowling ou simplesmente beber um copo, e no Daiquiri Bar, na praça 25 de Abril, poderá beber todo tipo de shots, e para quem gosta como eu de ver o pôr do Sol, não há nada como beber uma caipirinha, ou comer camarão com um vinho verde fresquinho para acompanhar, num dos vários bares situados a beira mar na Foz do Arelho.

-No Sábado a noite, temos a Green Hill, classificada como uma das melhores discotecas do país.(situada a entrada da Foz do Arelho)..e quando sairem, se tiverem com fome, nada melhor do que "larpar" um bom Kebab, ou um bom Pita Shoarma..e para os mais alergicos a comida Oriental..também tem cachorros, hamburgers e pão com chouriço :) isso tudo a beira da lagoa, na Foz do Arelho.

Espero que ficaram com vontade de conhecer as Caldas-Da-Rainha..

..para nos despedir das Caldas-da-Rainha, fica um poema de Paulo Ferreira Borges
..Grandioso poeta que nasceu em Pataias e que vive há 20 anos nas Caldas-da-Rainha

Penar Baji

Investiga-me a sorte, lê-me
a sina, como se estivesse manus-
crita no papiro das sacradas
escravaturas ou no pergaminho
de um novo fundamento. Murmura,
podes murmurar o ensalmo certo,
o canto de um cometa que saiba tudo
de mim, distantemente de mim.
Desborda-me a vida, como faz o dique
para descrever no pó a viagem seminal
das irrigações. Ouvirei a tua ciência
maldita, bebida no cálice dos loucos
e dos visionários. Depois, devolve-me
a mão, o que nela se prescreve, e parte,
dissolve-te no crepúsculo, com ar
de bajibaora a rogar-me uma praga
de sorrisos. Saber-se-à
nessa tua ciência oriunda dos astros,
que numa noite, numa só noite,
o vento apaga todos os vestígios?